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(Antonio Canova - Lovers)
Não falta a tua face
em meu pensamento
quando te sinto próximo,
e a minha alma
traça o perfil do teu corpo...
Meu pensamento,
é só o teu rosto
quando te percebo perto,
e o meu corpo
é delineado pela tua alma.
Se teu poema
cinzela-me o peito,
é essa mesma escultura
que palpita
redimensionando as distâncias...
E se eu tento alcançar-te
com esse meu verso manso,
é tua veemente poesia que me acena
desconhecendo o remoto...
Cada sístole, cada diástole
tem teu perfume, tua assinatura,
teus vestígios...
Minha alma toda se eleva
quando tua letra me sopra;
quando tua caligrafia aproxima-se,
meu corpo torna-se denso,
tenso, teso...
Poesia nua,
matéria tua,
teu corpo,
eu.
Escrito por Elise às 16h39
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(Foto: Vanda Malvig)
Dissipando sombras de dúvidas,
desmanchando o medo de pecar,
o jorro do nosso desejo nos vence;
a (in)decência do verbo que nos pertence,
faz-nos a vontade desabrochar.
Se teu verso é usufruto da minha poesia,
meu reverso é-te vitalício, à valia;
e cada palavra é (in)vertida,
toda letra é proferida,
entre o céu e o verbo amar.
É nosso amor sem contrições:
Tens a mim,
em prosas,
sentimentos
e ações.
Tenho-te, sim,
em palavras
atos
e emoções.
Escrito por Elise às 02h05
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* Irresistível, o poema... Irresistível, não querer retribuir.
Jorge*, beijo e obrigada..:-)

(Foto: Andrea Zacarelli)
Vem...
inspira o meu peito querente,
aspira esse meu desejo ardente
e sopra a minha poesia.
Traz a urgência desse enevoar claro,
traz esse teu vento raro,
traz colo, maré, calmaria,
para que este teu sumo caro
transpareça na minha ousadia.
Vem,
para que a minha voz,
entranhada na tua alma,
grite...
Vem,
para que teo sonrrire*
arraigado ao meu corpo,
palpite...
Para que, dentro de mim,
o teu verbo precipite-se,
espiralando a minha alegria;
para que a minha existência
sorria ao teu gozo
e teu poema satisfaça
-intensamente-
a minha anatomia.
Elise
Escrito por Elise às 13h44
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* Um ano de blog, hoje. Um ano do Cartas, um ano dessa deliciosa cumplicidade com cada um que, por aqui, passa. Agradecer é pouco, mas é sincero. Meu obrigada a cada um de vocês, que deitam o olhar sobre as minhas Cartas.
* Eu publiquei, em 19 de Abril, um poema, "Emoção", em resposta à um presente que ganhei, um outro poema. A minha surpresa foi ter, em minha caixa-postal, uma resposta ao meu poema, ( incrível a dimensão que a Web alcança...) e eu decidi partilhar aqui, tão doce foi essa gentileza... Nada melhor que repartir gentilezas, numa data especial para o blog, não?! ;-). Ei, você, autor do poema aí postado, um beijo e, obrigada! ;-). Como já te disse, espero um dia retribuir à altura. ( Ah... Ele me deixou dizer quem é ele..!!..)...

(Foto: Olivier Reichenauer).
E ela, como prometera, não soube entrar
docilmente na noite calada: esmagou
a boca escura. As uvas
rebentaram e os olhos
da boca aveludaram o interior
da pele, e a noite teve
olhos. Outra vez. E o corpo fechava
a luz sobre si. Outra.
* Xabier Cordal
* Cherry, obrigada pelo carinho postado, viu?! Beijoca. :-)
* Jorge*, que me deu Xabier, obrigada. :-) Xabier Cordal, que me deu o poema, obrigada. :-)
Escrito por Elise às 15h02
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(Foto: Stefan Beutler)
Quando me trazes teus ouvidos
e te encostas a meu colo,
percebendo o quanto sussurra
meu peito;
quando silencias em meus braços
e te fazes tão imenso,
encrespando-se em carícias
no meu leito;
quando desvendas meus segredos
vislumbrando além de mim,
decifrando-me
com esse teu jeito;
quando me dá dos teus dias
e me entregas todo o teu azul,
abraçando-me
durante o amor que é feito;
quando te enredas em meus espaços...
: eu me desavesso, me desespesso,
me preencho dos teus pedaços,
me componho, me disponho,
me prendo nos teus passos,
completo-me do belo que há
em teu coração
e reedifico-me,
deixando-me, para sempre,
em tuas mãos.
Escrito por Elise às 12h22
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