E, nua,
minha vida se entreabre
numa urgência desvairada,
para que teu corpo
-verbo alucinado que me invade-
possua minha alma apaixonada.
Faço-me lua,
pairo amena em céu de esperança,
crescente de desejos em desvario;
sou pele, sou carne, arrepio,
fêmea, mulher, criança;
sou letra voluptuosa
querendo ser decifrada.
Sou tua,
líquido poema
querendo aplacar tua sede,
trama de fios perdidos
para que teças nossa rede;
suor, entrega sem limite,
chama, para que teu coração palpite;
sou silêncio e inocência,
grito e indecência,
doação de amor desesperada.
E não vens...